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Terça, 23 de Setembro 2014

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OS TALENTOS HUMANOS NAS ORGANIZAÇÕES
                                                                            *Manoel Rubim da Silva

Estamos, no limiar do que se convencionou chamar de “Economia do Conhecimento”, em que pontificam a produção científica, as inovações tecnológicas e o empreendedorismo. Neste país, que passa por um momento de expressivo crescimento econômico - que não sabemos se será continuado, face à Crise Financeira que se espalha pelos EUA e Europa - já estamos sentindo a falta de pessoas especializadas, nos vários setores das atividade econômicas. A propósito, tomei conhecimento da forma como as empresas vêm buscando reduzir o que já está sendo chamado de “Apagão de Talentos”, valendo-se: da promoção de pessoas que estejam preparadas para as oportunidades que surgem; da contratação de profissionais de outras empresas, através da oferta de vantagens e, até mesmo, via recrutamento de pessoas que já se encontram aposentadas.

Tal “Apagão de Talentos” decorre de uma política que visa o curto prazo, sem que as empresas e entidades patronais, se preocupassem com o médio e longo prazos, por não estarem sintonizadas nas mensagens cifradas do mercado, que anunciavam o incremento da economia. Resultado, o incremento da economia chegou, e não estamos preparados, em termos, de talentos humanos, para atender os enormes e diversificados reclamos dos diversos segmentos do mercado. Sabemos que os “Talentos Humanos” são considerados como os mais importantes ativos de uma organização, ativos imateriais, que não constam dos Balanços Patrimoniais, todavia são o corpo e a alma de qualquer entidade, seja privada e/ou pública. Betania Tanure e Paul Evans, em uma matéria intitulada de “Presidentes reclamam que falta gente para poder crescer”, no “Valor on Line”, afirmam que 92% das empresas, que estão entre as 500 maiores e melhores empresas do Brasil, não investiram sistemática e estrategicamente no desenvolvimento de pessoas, e de forma especial nas lideranças, apesar de proverem seus executivos com vários cursos”.

Se na iniciativa privada estamos desprevenidos dessa forma, como estaríamos no serviço público, em que o assunto “Gestão de Pessoas” ainda encontra-se incipiente? Os “Talentos Humanos” no serviço público estão aí, sem uma mínima política de valorização. Ingressam no serviço público, no mais das vezes, via rigorosos concursos, em raros casos são muito bem treinados, e, em mais raros ainda, bem remunerados. De repente, são descartados, pelos vários “gênios de plantão”, totalmente divorciados do interesse público, focados, somente, nos mesquinhos interesses do poder temporal. Quem paga a conta do desperdício? Claro: “A velha, incansável e abonada viúva”!

Preocupadas com o “Apagão de Talentos” as empresas privadas brasileiras, e mesmo as multinacionais, “arregaçaram as mangas”, “correm atrás do prejuízo”. Segundo Andréa Diardino, em recente pesquisa efetuada entre cento e cinqüenta empresas brasileiras e multinacionais com sede em São Paulo, Rio de Janeiro e Sul do País, a Empresa de Auditoria e Consultoria Deloitte Touche Tohmatsu, uma das “Big Four”, teria sido detectado que 77% desse universo de empresas pretendiam ampliar o orçamento de recursos humanos, visando o treinamento de funcionários nos próximos dois anos. Também promissores são os dados revelados pela pesquisa “Talento Global” efetuada, também, pela Deloitte, com 1.396 empresas de 60 países, que identificou a atração de novos talentos e a retenção de profissionais capacitados como sendo hoje as principais preocupações dos Gestores de Recursos Humanos. O caráter promissor de tal pesquisa está em que as empresas brasileiras pesquisadas que pretendem melhorar a capacidade de atrair, reter e desenvolver talentos humanos chega a 80% da amostra local, ao passo que os percentuais na América Lática e Mundial atingem, respectivamente, 59% e 69%. Tal estatística evidencia a consciência dos empresários brasileiros de que existe uma correlação perfeita entre a qualidade dos “Talentos Humanos” com o sucesso das empresas, o que nos faz intuir que os gestores das empresas brasileiras estão valorizando muito mais os talentos humanos do que a média dos gestores dos demais países, fato deveras auspicioso para o crescimento sustentável deste país.

È bem verdade que ainda não investimos tanto no desenvolvimento de pessoas como faz a General Eletric, GE, que investe, anualmente, 1 bilhão de dólares, e que, desde Jack Welch, tem o Departamento de Recursos Humanos como o principal da sua empresa, ao lado da área de Finanças e Planejamento Estratégico. É bem verdade, também, que as nossas empresas estão longe de dispor de uma Universidade Corporativa, ao estilo de “Crotonville”, de que dispõe a GE, fundada em 1956. Todavia, neste país, estamos no caminho de acreditar, no que afirmara Walt Disney: “você pode sonhar, projetar, criar e construir o lugar mais maravilhoso do mundo, mas é preciso pessoas para tornar o sonho realidade”.
 
.* Manoel Rubim da Silva é contador, Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil, Professor do DECCA - UFMA

 

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